Tudo parecia perfeitamente normal em minha ingenuidade infantil...
Convivendo em uma família harmoniosa com um casal de irmãos mais velhos, e que meus pais tinham o maior zelo conosco.
Lembro-me que éramos pobres, a casa antiga de poucos cômodos, conservada conforme as condições protegida sobre a densa floresta. Assim como em todo e em qualquer lugar apresentava os seus prós e contras, assim, como os perigos também. Tão próximo... E não fazíamos a mínima noção de sua existência.
Não tínhamos muito contato com outras pessoas. A não ser quando precisávamos comprar utensílios ou mantimentos na feira localizada na cidade.
E foi em uma dessas idas que conhecemos o senhor Serafim.
Ele se mostrou uma pessoa solícita e gentil em nos ajudar a retornar oferecendo uma carona em sua charrete. Já que fazíamos uma longa caminhada com cestos muitos pesados. E como eu era a mais nova, na altura dos meus onze anos, perguntou-me se poderia me erguer e me colocar no transporte. Os meus pais consentiram.
Serafim sempre encontrava uma maneira de nos abordar na feira, e com o tempo, passou a fazer pequenos reparos em nossa casa, em troca de uma galinha. Dizia-se muito pobre, tinha os filhos e a mulher para alimentar. Volta e meia ele aparecia espreitando a residência para se aproximar. Muitas vezes para conversar, passar o tempo, tornando-se da família. Os meus pais sempre demonstraram o desejo de conhecer a família dele, mas sempre existia uma desculpa. E todos acharam algo normal.
Em uma dessas idas à feira, depois de mais ou menos de um ano de amizade, encontramos com o senhor Serafim, moço simpático, de estatura alta, corpo másculo devido à lida do cotidiano, a pele clara, olhos esverdeados, o nome até combinava com as suas expressões. Neste dia, avisou-nos que teria recebido uma proposta de trabalho e estava a caminho para realiza-lo.
No trajeto de volta, por mera distração na fase da adolescência, talvez por descuido, não imaginando o que poderia acontecer, parei para observar uma revoada de borboletas... Não notamos que estávamos sendo seguidos – Dois homens surgiram no meio do matagal e me arrebataram. Embora, debatendo-me e tentando gritar, não conseguia me desvencilhar. Com a cabeça coberta me levaram para longe. Em uma carruagem, percorremos durante dois dias, e parávamos para fazer as necessidades e me alimentar com pão e água.
Finalmente, pude ver a luz do dia através da fresta de um casebre, tão deteriorado quanto à minha casa. Onde me vi assustada e coagida por dois homens desconhecidos, até que um terceiro chegou...
- Senhor Serafim... – Eu lhe disse.
- Quem falou para você que este é o meu nome? – Ele indagou.
- Não... – Eu tentei lhe responder, mas fui interrompida.
- Cale-se! – Ele desferiu uma tapa em meu rosto.
Os três conversaram e acertaram o preço a ser pago entre eles como se não estivesse ali.
Para falar a verdade, fiquei aliviada por ver um rosto conhecido... Por um momento, pensei que seria salva.
Ledo engano, com o tempo, ainda muito assustada, compreendi que o senhor Serafim teria sido o mentor de tudo. E pelo estado da casa, por ser um lugar bastante afastado, teria feito aquilo antes. E para dar continuidade ao seu plano diabólico, primeiro fez com que limpasse todo o ambiente retirando as teias de aranha. Desse modo, teríamos um lar para chamar de nosso.
O homem que se mostrava extremamente calmo, de expressões finas e de olhar tranquilo, escondia um sombrio segredo. Logo se transfigurou em ameaça.
Por certo tempo, mostrou-se piedoso, mas mantinha em sua altivez a visão de caçador diante à sua presa. A tentativa em transparecer o mais natural possível se tornava cada vez mais inviável. Estávamos sozinhos no meio do nada. Não fazia a menor ideia de qual seria o seu próximo passo.
Exausta e mal findando a limpeza, em um canto adormeci.
Ao acordar, notei que estava nua, sem entender o que havia acontecido...
Como se cuidasse de mim me ofereceu um pedaço de pão e um copo de água.
- É o que trouxe comigo. Logo providenciarei mais comida para você. – Ele me falou secamente.
- Quanto tempo me manterá aqui? Preciso voltar para a minha família. – Eu lhe falei.
- Deixa de ser ingênua. Eu gastei um dinheiro. Então, pensa que voltará? Nunca! Você agora é minha propriedade. - Ele falou dando um soco na parede.
Eu me tremia dos pés à cabeça.
Com fome, tentava engolir o alimento.
- Você precisa de um banho. – Ele me avisou.
- Não posso fazer isso na sua frente! – Eu lhe falei.
- Obedeça-me! – Ele gritou.
Não poderia desobedecê-lo.
Não estava em posição para essa situação.
O seu olhar de cobiça era evidente para o meu corpo. Mal tinha acabado de sangrar. A impressão que tive foi que ele aguardou saber desse momento, ou obter confiança necessária da minha família para colocar o seu plano em ação.
No banho percebi algo viscoso e branco por minhas partes íntimas.
Levando-me para dentro de casa, não se conteve e me jogou no canto de um cômodo e abrindo as minhas pernas, retirou o pau teso de dentro de suas roupas, enfiando dedos em minha boceta, o que me fez sentir dor, e tão logo me penetrou. Por mais que tentasse me esquivar, era impossível, tampava a minha boca para sufocar os meus gritos.
Lágrimas escorriam de meus olhos, encontrava-me apavorada.
O que faria comigo depois?
Os seus movimentos eram ritmados, forçando cada vez mais para se satisfazer.
Uma sensação estranha se apoderou de meu corpo, tão perspicaz que nunca havia sentido.
Uma viscosidade por entre as pernas, não sabia de quem era, até que a dor cedeu lugar para outra sensação, digamos, de prazer... De dualidade. Mas não demonstrava, e pedia para que pudesse terminar o quanto antes, porém, parecia que o instigava.
Finalmente, ao concluir o seu ensejo, saindo de meu corpo, sangue e fluídos se misturavam.
Em seu rosto um sorriso sarcástico...
Não apenas me sentia violada, como fui em toda a minha existência.
- Prepare-se! Este é apenas o começo já que foi a escolhida. Poderia ter sido a sua irmã, mas está velha. – Ele falou debochando da minha cara.
- Por quê? – Era a pergunta que me fazia mentalmente.
Largada...
Ele trancou tudo e me deixou na penumbra suja e sangrando.
As horas se passavam –
Sentia fome, frio e febre.
Desprotegida e à mercê de um maluco, um psicopata.
Não morri naquela noite.
Infelizmente, muitas coisas poderiam ter sido evitadas.
Na manhã seguinte, o senhor Serafim chegou com notícias de que o povoado me procurava. Ele até ajudou, comunicando pistas falsas.
No entanto, os dias, as semanas, os meses e ano foram se passando naquela agonia interminável.
Com o tempo, ninguém mais me procurava. Realizaram missas para a minha alma.
Serafim sabia exatamente o que fazia, porque agia como se não fosse a primeira e não seria a última. Eu que não entendia muita coisa, mas sentia que era totalmente errado.
Havia um quadro na parede, onde marcava os dias de meu sangramento. E quando não descia, ele mesmo preparava algumas ervas e me forçava a beber, o que me provocava dores horríveis e voltava a sangrar.
A minha vida era presa e coagida, tratada pior do que um animal. Mesmo os que tínhamos em casa eram cuidados com respeito, até na hora de serem abatidos.
Às vezes, o senhor Serafim me deixava sair um pouco para tomar sol, dizia que precisava está bem, no entanto, sob a sua vigilância.
E quando mais ninguém se lembrava de mim, ou evitava falar o meu nome, o senhor Serafim me trouxe um vestido. Deve ter roubado de algum varal, avisando-me que me faria uma surpresa, informando que deveria está pronta.
À noite, levou-me para um lugar onde pude ver outras pessoas, sem ser somente ele. Na maioria mulheres, na companhia de alguns homens. Ao vê-las ocupadas, em cenas obscenas, sem censuras, levou-me para outro ambiente do estabelecimento.
- Pode ir se acostumando! Não vai demorar muito você vir morar com elas e me fornecer um pouco mais de lucro. Até hoje foram investimentos, precisa me dar retorno. – Ele me falou esbravejando.
Não fazia a mínima ideia do que me dizia.
Ao ver ao menos três mulheres rodeadas por outros homens, bebendo, embriagando-se em seus próprios desesperos. Simplesmente um teatro em meio a sorrisos de pura insatisfação. Os seus olhares frios e vazios assim como o meu revelavam a dura realidade do que enfrentavam.
O que aconteceria comigo?
Ao percebê-las ocupadas...
- Não se preocupe conosco e continuem com os seus trabalhos. Trouxe comigo a minha própria refeição. – Ele falou com todos que nos observavam.
Pegando-me abruptamente pelo braço, percorrendo os corredores daquele local, como se já o conhecesse... E como não? Ele agia como dono, e o era de fato. Trancafiou-nos em um cômodo rude, parecido ou até mesmo igual ao que me mantinha acorrentada, enquanto, não estava por perto, porém, mais organizado.
Indo direto ao assunto, explicando-me como deveria tratar os futuros clientes. Porque desejava receber por todos os anos que cuidou de mim. E que se ele fosse outro tipo de pessoa, apenas me descartaria em uma cova qualquer, ou se me abandonasse como viveria?
Deitado sobre uma cama improvisada...
- Tire toda a sua roupa, ou quer que estrague o seu lindo vestido? – Ele me ordenou.
Não lhe respondi e, lentamente o obedeci.
- Boa garota! – Ele exclamou.
Vendo-me nua, fez menção de se levantar e ficou me observando, fazendo com que me ajoelhasse à sua frente, ordenando a chupá-lo. Desse modo ainda sem jeito e vontade o pau foi crescendo por entre os meus lábios.
- Quero mais energia! – Ele me ordenou.
Seguiu desferindo uma tapa em meu rosto, o que me fez sangrar no canto da boca e também forçava a ninha cabeça. O sabor agridoce permaneceu em meu paladar.
- Isso! Agora sim! – Ele continuou.
Os seus fluidos se misturavam à saliva, e quando em ponto de bala, empurrou-me para ficar de quatro no chão. Em seguida cuspindo em sua mão, molhou a boceta enfiando os dedos grossos. Porém, ao abrir as nádegas deu uma cusparada na bunda, introduzindo um dedo no meu rabo, irradiando uma dor lancinante.
Mal tive tempo para me recuperar, quando direcionou o cacete para a entrada anal me rasgando. Como os meus gritos eram inevitáveis, pegou um pedaço de tecido, enfiando-o em minha boca quase me sufocando não cessando as suas investidas, até o instante em que o tive totalmente atolado. Por alguns segundos cessou, amenizando a agonia. Como recuperando as suas forças. Não demorou em que recomeçasse a investir sobre o meu corpo com tamanha voracidade. Tentei fazer menção de retirar o pano, porém, o senhor Serafim foi mais ágil, imobilizando os meus punhos por detrás do meu corpo, deixando-me em uma posição ainda mais desconfortável. Só pedia para que acabasse, enfim, jorrasse o seu prazer.
A agonia reverberava por minha carne, desejava, senão a morte!
E cerrando os meus olhos, fingi que estava em outro lugar, usando a imaginação como fazia sempre, para ao menos fugir daquela cruel realidade. Quem sabe aguardando a primeira oportunidade de escapar. Como se daria? Quando? Se ele era três vezes maior do que eu.
De repente, senti as suas veias latejarem e a jorrarem em meu canal, escorrendo por entre as coxas. E percebendo o meu estado, ele retirou o tecido fazendo com que respirasse com facilidade.
Ao libertar o meu buraco, de brinde levei uma tapa na bunda.
- Você terá que fazer o que te pediram sem indagar ou reclamar. Porque a partir do momento em que se mudar definitivamente, esse será o seu sustento. – Ele retificou.
De cabeça abaixada consentia tudo o que me dizia... Como se aceitasse o meu destino.
- Recomponha-se! – Ele gritou.
Ao me vestir com seus resquícios em meu corpo, fui levada para onde se encontrava as outras mulheres. E me vendo sabiam exatamente o que havia acontecido. Uma delas veio em sua direção e se falavam como se prestasse alguma conta. Duas delas me rodearam Um ou dois homens que ali permaneciam, não tiveram a permissão de se aproximarem, permanecendo sentados no bar.
Elas curiosas perguntaram o meu nome...
- Liriel! – Ele quem respondeu me olhando com seriedade.
- Por acaso, Liriel não tem língua ou você a comeu? – Uma delas perguntou com ousadia.
Neste momento me encolhi.
- Repita o seu nome! – Ele me ordenou.
- Liriel! – Eu lhe respondi em tom tenso.
- Então, verei o que precisa ser feito por aqui. E quanto a vocês, façam a sua parte e cuidem dela. – Ele as ordenou.
- Venha Liriel. Não precisa ficar com medo. Sabemos perfeitamente, quando Hedonis, mesmo com essa aparência angelical pode ser o verdadeiro carrasco. – A mesma continuou.
- Mas o nome dele não é...
- Cale a boca garota atrevida! – Ele falou puxando o meu cabelo, levando-me o meu rosto ao seu.
- Solte-me... Está doendo. – Eu lhe pedia.
Enfurecido ele me largou.
A outra mulher ao se aproximar, apresentou-se como Morgana me avisando para não me assustar, retirou a minha roupa, enquanto, Guta – Nem sei se estes eram os seus verdadeiros nomes – Enrolaram-me em uma toalha e me levaram para outra parte do estabelecimento, onde havia uma banheira rústica e me direcionaram a ela.
Com delicadeza começaram a me dar banho, a lavarem os meus cabelos, as suas mãos deslizavam sobre a minha pele, tão suave e sem pressa, tocando-me intimamente, demostrando afeto e cuidado, ao contrário daquele homem desconhecido... De meu algoz, ou melhor, dos nossos. Para a minha surpresa, comecei a gemer baixinho, demonstrando sentir prazer. Acredito que faziam de propósito. Conforme percebiam a minha vontade, elas intensificavam as investidas, introduzindo dedos em minha boceta. Também percebia as suas respirações ofegantes, apertando os meus seios. De olhos fechados, mãos acariciavam o meu rosto, percebia um hálito quente, dedos em minha boca, seguia o instinto os chupando... Quando o meu corpo em explosão se expandiu em verdadeiro orgasmo.
Após longos minutos entregue e arfando o peito, cessaram me ajudando a sair da banheira, auxiliando-me e secando o meu corpo, continuaram com as suas carícias sentindo um líquido quente a escorrer de meu sexo.
- Liriel é uma das nossas! – Morgana falou baixinho.
Tudo parecia está em câmera lenta, Diante do inferno dos últimos anos.
Em um cômodo reservado para o descanso, Guta fez com que me deitasse e abrindo as minhas pernas, tocou-me com a ponta da língua me fazendo estremecer; desenhando círculos, dedos penetravam por meus lábios vaginais. O pequeno pedaço de carne febril resvalava em meu rabo, embora dolorido, proporcionava uma sensação de deleite. Morgana por cima chupava os meus seios, com os seus lábios tocava nos meus, a sua língua começou a me invadir...
Os seus toques se faziam completamente distintos aos de Hedonis, teria que me acostumar com este nome, perspicazes, porém, sutis emanavam delicadas sensações, deixando-me atordoada em uma dualidade sem explicação. Até o momento em que percorreu toda a extensão de meu prazer, surgindo outra explosão de êxtase. As duas me beijaram quase ao mesmo tempo, aguardando me acalmar daqueles impulsos de energia, explicando-me que havia gozado.
- Bom... Por hoje é somente isso! – Morgana me avisou.
- Ainda tem mais? – Eu lhe perguntei ofegante.
- Sim! Mas não podemos avançar devido às ordens de Hedonis. – Guta me respondeu.
De repente, Hedonis abriu a porta abruptamente. Ao ouvir a sua voz, encolhi-me, com receio de seu toque e elas se afastaram.
- Sabia que você tinha potencial, mas me surpreendeu! – Ele falou em tom irônico quase sussurrando no meu ouvido.
- Você estava nos observando o tempo todo? – Eu lhe perguntei.
- Claro que sim! Tenho esse direito! Ou pensou que perderia esse showzinho? – Hedonis me perguntou ríspido em suas palavras.
Só desejava desaparecer daquele lugar como mágica.
Ele sem pensar e nem tirar a roupa, apenas colocou o membro para fora libertando o volume que se formara, puxando-me pelos pés, abrindo as minhas pernas se meteu de uma só vez na boceta.
As suas arremetidas eram fortes de encontro ao meu sexo que se encontrava sensível, o meu corpo franzino, não sei se seria capaz de suportar... A sua derme marcada pelo sol, o seu cheiro e aparência de lenhador se entranhava em minhas narinas.
Morgana e Guta somente nos observavam sem nada fazer, e ao tentarem sair, ele gritou lhes ordenando a permanecerem no local, enquanto, estocava-me com paciência.
- Acostume-se! Por enquanto, sou eu! Depois serão outros! – Ele me falou aos gritos.
De certa forma, elas estavam acostumadas com aquele comportamento. Entretanto, durante anos éramos nós dois, e aquela seria a minha primeira vez, depois de tantos anos, tendo contato com outras pessoas sem ser Hedonis. Porém, estavam presas sobre um ciclo de violência. Sabia que em algum momento, ele se cansaria de mim, e buscaria outra presa para satisfazer a sua perversão.
Hedonis se aproximou de minha família sendo cordial e prestativo para adquirir confiança. Mesmo depois de ter me sequestrado, continuou realizando as suas visitas, por dois ou três anos, até que os informou que foi convidado a trabalhar em outro vilarejo distante e se despediu.
Depois de anos sempre soube que seria apenas estratégia e mera desculpa para investir o seu tempo em um novo plano de arrebatamento, aterrorizando outra família.
Naquela primeira noite, a qual me retirou do esconderijo, e ter me forçado pela segunda vez na presença de terceiros, ele agiu com brutalidade me batendo e puxando os meus cabelos até jorrar na boceta. E após se satisfazer, mandou as duas cuidarem de meus possíveis ferimentos.
Não queria voltar para o casebre, ao menos ali não estaria sozinha.
Hedonis se mostrava impetuoso, e vendo a minha cara de insatisfação, parecia que se engrandecia com toda a circunstância.
- Entre, você sabe o que fazer. – Ele gritou.
No pequeno cômodo me deitei em uma cama improvisada no chão, sendo acorrentada.
A incerteza de tudo era notório...
Às vezes, ele aparecia para me dar comida e água, mas logo a solidão invadia o lugar.
No tempo de mais ou menos duas semanas ele me levou para o prostíbulo, ordenando para que as outras me ajudassem com a minha produção. E no horário de abertura me jogou no meio de vários homens que começaram a me apalpar de todos os modos.
Em tom mais alto pediu licença dando início a um leilão informal, iniciando o lance da minha primeira noite, o que lhe rendeu um bom dinheiro.
Naquela noite, havia mais homens do que na outra. Eles agiam como se soubessem o que iria acontecer.
Hedonis não hesitou em nenhum momento de me entregar a outro homem, totalmente estranho. Ele se tornando alguém conhecido e de confiança de minha família, fez o que fez. O que o outro não faria?
Encontrava coagida e assustada com todo o assédio.
Ao entrarmos no quarto que foi destinado para esse intuito, este se apresentou como Bonifácio, nem precisaria, pois havia escutado o seu nome em alto e bom som ao ser anunciado no desfecho do leilão. Imediatamente me mandou a ficar nua, para constatar se havia investido bem o seu dinheiro.
Hedonis me ordenou a ser obediente e, assim o fiz...
A minha pele branca arrepiada pelo medo, e ao me tocar, a reação foi de me encolher na tentativa de proteção, no entanto, mandou me recompor e a dar uma volta.
- Aparentemente valeu a pena! – Bonifácio comentou.
Ele me rodeava alisando o cacete por cima da roupa.
Sentando-se fez com que me colocasse sobre o seu volume, alisando os meus seios e dedilhando o clitóris. A sua forma física era tão avantajada quanto à de Hedonis.
- Hedonis sabe muito bem escolher as suas mercadorias... Tem um olhar clínico! – Bonifácio comentou.
Antes precisava tolerar um homem falso que se aproximou de minha família, agora jogada e subjugada sob a vontade de outros homens que pagarão para se deitarem comigo.
Confesso que ele não foi tão invasivo... Depois me fez ajoelhar a sua frente e me forçou a chupá-lo. Enquanto, realizava, ele acariciava os meus seios. Antes mesmo que pudesse gozar, ele me apoiou na cama, abrindo as minhas nádegas, passando a mão na boceta, prosseguiu abrindo o zíper, abaixando a calça e me rasgando de uma só vez as entranhas.
Talvez Hedonis tenha lhe pedido para ir devagar comigo e não me assustar. Entretanto, no mesmo instante senti raiva e pensei que não teria nenhum cuidado, não só por mim quanto para as outras.
Conforme o prazer de Bonifácio aumentava, ele colocava mais energia alimentando o seu ritmo de encontro ao meu corpo, tornando-se muito abrupto. E não via o momento de jorrar para sair de cima de mim. Contanto, ele gozou, e em seguida fez com que me deitasse sobre a cama, e retirando rapidamente a sua roupa, colocando-se por cima de mim, batendo com o cacete em meu rosto, e atolando-o em minha boca.
Bonifácio quase me sufocava, fazia-me sentir ânsia quase vomitando. Sem esperar desferiu uma tapa muito forte em meu rosto, atolando-se novamente.
Ao tentar reagir o empurrando, ele me colocou de bruços prendendo os meus braços, violentando-me furiosamente não poupando nenhum de meus buracos. A sua jeba foi introduzida sem o menor cuidado e a seco. E antes que pudesse obter o seu êxtase, um homem bateu na porta informando que o tempo havia acabado. Bonifácio gritou lhe falando que pagaria o valor excedente e continuou o seu intento.
- Você ainda tem muito que aprender! – Bonifácio me disse reclamando.
O seu pau ainda latejava em meu rabo permanecendo assim por mais alguns minutos.
Por fim, levantou-se e se vestiu não me olhava no rosto, fiquei agarrada aos meus joelhos.
Bonifácio abriu a porta para sair e Guta entrou para verificar como estava.
- Precisa se lavar... Hedonis já recebeu de outro cliente para você atendê-lo. – Guta me avisou.
- Não posso... Não consigo... – Eu lhe falei.
- Vou te ajudar. Hedonis não aceita devolver dinheiro, ainda mais sendo uma quantia generosa. – Guta continuou.
- Não sei se vou conseguir... – Eu lhe confessei.
- Compreendo que seja difícil. Mas aqui somos minoria. Se deseja ter o mínimo para sobreviver, infelizmente, terá que ser assim. E se for esperta, conseguirá se impor diante desses homens. Nem todos são ruins como Hedonis e Bonifácio. Seja inteligente! – Guta continuou me aconselhando.
Guta avisou para o próximo cliente que estava pronta, entrando assim que autorizado sem perder um segundo. Este se mostrou um pouco sem jeito, demonstrando timidez. Mas qualquer movimento aleatório que fazia em minha direção me assustava...
- Não se assuste! Não quero te fazer mal! – Ele falou hesitante.
- Qual o seu nome? – Eu lhe perguntei.
- Peter! – Ele me respondeu.
- Como sabe, sou a Liriel. O que deseja que eu faça? – Eu continuei lhe perguntando.
- Tire a sua roupa e se deite na cama... - Peter me respondeu.
Assim o fiz...
Peter me olhava como se fosse à primeira vez que via uma mulher nua em sua frente.
E de fato seria.
Dando-me as costas, despiu-se.
Ao se virar caminhou em minha direção e se deitou ao meu lado sem saber o que fazer, quando toquei em seu sexo se assustou mais do que eu.
- Não se preocupe. – Eu lhe falei.
Peter consentiu.
Iniciei o punhetando e crescia por entre os meus dedos, e me ajoelhando cai de boca no pau virginal, descobrindo o deleite da carne. Quando no ponto desejado sentei de costas sobre o seu corpo, encaixando-o na boceta – Lentamente cavalgava – Por seus gemidos demonstrava todo o prazer que lhe proporcionara e não demorou para que gozasse. Em seu frisson me levantei e fiz com que me chupasse, direcionando-o ao clitóris.
Uma intuição foi sussurrada em meus ouvidos sobre Peter: Poderia moldá-lo ao meu modo, e fazer com que ele não repetisse o mesmo comportamento que os outros homens para comigo. Contanto, estava na chuva e bastante molhada. Ninguém foi capaz de me encontrar naquele lugar. E tendo o conhecimento de Morgana, de Guta e de outras mulheres, Hedonis não praticava os seus crimes sem a ajuda de comparsas.. Com certeza, o de nos manter em cárcere e nos aliciando para ter um ganho financeiro não seria os únicos. Seguindo o aviso de Guta, compreendi perfeitamente.
É sempre bom termos alguém ao nosso lado. Não tinha certeza de que Peter seria a pessoa correta. Mas era a alguém que havia no momento.
O seu atendimento ocorreu sem nenhuma intercorrência.
Peter se despediu quando alguém bateu à porta.
Por alguns instantes aguardei por Guta ou outra mulher entrar, o que não aconteceu e permaneci deitada, quase adormecendo...
Hedonis entrou no quarto com voracidade, puxando-me pelos pés.
- Levanta-se! – Ele me ordenou.
- Estou cansada! – Eu lhe respondi.
- Agora! – Ele exclamou.
Não teve jeito, levantei-me.
- Até que para dois atendimentos você foi bem, ganhou um bom dinheiro, ou melhor, eu ganhei! Não pense que será assim sempre! Faça por onde que os homens tenham interesse em você! – Hedonis me avisou.
Eu lhe ouvia com a cabeça abaixada, sem olhar em seu rosto.
- Olhe-me! – Ele me ordenou.
Continuava na mesma posição.
- Olhe-me! – Repetiu outra vez.
Mas não o obedecia.
- Eu falei para você me olhar! – Ele gritou.
Somente senti a sua mão pesada em minha face, perdi o equilíbrio e cai, o que me fez ficar de joelhos. E ao tentar me levantar...
- Fique nessa mesma posição... De joelhos. E levante-se somente quando lhe ordenar! – Hedonis me avisou.
Ele ficou alguns segundos me observando, nua, completamente vulnerável.
A porta permaneceu entreaberta para que pudesse me observar, não somente ele, como os outros.
Percebia o movimento frenético lá fora, e com o passar das horas foi diminuindo, ficando tranquilo, com poucas vozes, gemidos e gritos oriundos de outras acomodações, havia me tornado o troféu para exibição de Hedonis, até o momento em que escutava somente as vozes das mulheres e a de Hedonis ecoando pela ambiência.
Quando tudo parecia está em silêncio, Hedonis se aproximou erguendo o meu rosto...
- Enfim, todas se recolheram... – Ele me avisou.
A dor era gritante em meu corpo, porém, não me movia de pavor.
E sem pronunciar mais uma palavra me levantou pelos punhos, amarrando-os com uma corda colocando a outra ponta, na engrenagem pendurada no teto, começou a me erguer, o que me deixou horrorizada. Também amarrou as pernas, de uma maneira com que ficassem abertas.
Ao constatar que estava firme, ficou totalmente nu, e com um olhar compenetrado me fez girar, deixando-me tonta. E fazendo cessar, colocou-se por detrás de meu corpo penetrando com uma estocada precisa. Como estava sensível, senti uma dor horrível me fazendo gritar. Provavelmente, acordando quem já estaria dormindo. Mas ninguém poderia vir em meu auxílio, não poderia fazer nada.
Hedonis me segurava pelos quadris para lhe proporcionar maior firmeza em seus açoites. Por ora, puxava os meus cabelos e ao impor maior energia tampou a minha boca para me sufocar. Nossos fluídos se misturavam... As oscilações me causavam náuseas. Ele parecia controlar o seu orgasmo, a fim de me ver mais tempo em agonia. Os seus gemidos de satisfação o denunciava, e antes mesmo de ejacular, saiu da boceta e se colocando à minha frente abaixou um pouco a corda para que pudesse alcançar o meu rosto fazendo de minha boca de boceta sem nenhuma cerimônia se arremetendo na garganta. Ele segurava a minha cabeça, forçando de encontro ao cacete, preenchendo-me. Não demorou para que começasse a vomitar, e não aguentando mais a pressão sobre o meu corpo, chorei diante dele. Com isso se mostrava mais excitado diante da situação.
- Você está chorando... Que lindo! - Ele falou ironizando.
- Deixa-me em paz! – Eu lhe falei.
Como castigo, outra tapa no rosto.
Hedonis me olhou enfurecido. E amarrando um pano em minha boca, voltando-se novamente para trás de meu corpo, cuspiu em meu rabo e projetou a ponta de seu cacete bem na entrada, invadindo-me de uma só vez. Por um momento, desfaleci recobrando os sentidos com ele me estocando furiosamente. Tinha plena consciência de seus atos que me provocavam dores, sofrimento e agonia. Refestelava-se impondo a sua força sob a minha fragilidade.
E quando isso acabaria?
Como sairia daquele lugar infernal?
Onde a minha vida foi retirada, e forçada a fazer algo que não queria...
Durante anos sempre foi assim.
Não fui à primeira, também não seria a última a viver neste mundo repleto de submissão. Tocada de maneira incisiva, sodomizada sem permissão por homens que nem ao menos conhecia. E quantos mais teria?
A mulher mais velha naquele lugar teria vinte e nove anos. Existia uma lenda entre elas, que quando completassem trinta, simplesmente desapareciam. Ninguém nunca soube para onde iriam, se eram vendidas. Elas simplesmente inventavam as suas teorias.
No entanto, teria mais doze anos para viver naquele inferno sobre a Terra.
Enquanto, tentando pensar, raciocinar, sentia dor.
As suas estocadas me penetravam...
Para realizarem o sexo anal, a nossa comida era uma sopa pastosa, a fim de evitar algum incidente.
Hedonis pensava em tudo nos mínimos detalhes.
Castigava-me copiosamente.
Aquela seria somente uma vez e depois teriam mais outras, outras, outras e outras vezes.
Servia-o como escrava sexual.
Até quando?
A dor me sufocava,
As cordas me causavam ânsia,
Sem perceber perdi os sentidos novamente.
Não me recordo de quando terminou a sua tortura.
Ao acordar pela manhã, continuava pendurada, enquanto, Hedonis dormia o sono dos justos sobre a cama.
Não sei quanto tempo levou para acordar, sem pressa e me vendo ali.
- Sempre achei você uma delícia, até mesmo quando frequentava a sua casa. Mas te foder completamente apagada, foi muito bom. – Ele me confessou sem nenhum remorso.
- Qual diferença faz? Eu acordada ou dormindo? Você sempre fará o que deseja com qualquer uma de nós. – Eu lhe respondi ainda atordoada.
Hedonis desamarrou a corda me abaixando.
- É bom tomar um banho e se alimentar. À noite, terá mais clientes. – Ele me ordenou.
Pela manhã, cuidávamos dos afazeres, como alimentação, cuidados pessoais e tarefas domésticas. Tudo era dividido e feito por escalas.
À tarde, após o almoço descansávamos.
Por vezes, sentíamos a ausência de um toque sincero, e para a nossa resiliência e saúde mental, aconteciam carícias em nosso dormitório, onde de certa forma existia um pouco de privacidade, realizávamos uma festinha somente das garotas. Onde dedos e línguas faziam os nossos corpos explodirem de tesão.
Porém, em certo horário da noite, deveríamos está todas arrumadas, para receber os clientes. Se caso faltasse alguma, Hedonis ou um de seus comparsas nos castigava.
Além de Hedonis, outro homem também fazia a segurança da casa, se caso alguém fizesse uma gracinha.
Conforme os dias se passaram, aumentava gradativamente o número de frequentadores do local, conforme a propaganda boca a boca ia se espalhando. E cada vez me sentia mais cansada.
Havia momentos em que surgia a esperança de sermos libertas, mas quando chegava o anoitecer vinha o desespero.
Não existia nenhum sentimento dentro de mim, pois vivia anestesiada pela velha e pesada rotina de trabalho e os lucros serem revertidos para Hedonis.
Havia boatos de que logo traria outra garota, e aquilo me fez recordar do dia em que fui arrebatada.
Uma sociedade podre e cruel.
A cobra mordendo o próprio rabo, em um ciclo permanente e viciante.
Quem é que se importa?
Assim seguiam os meus dias...
A cada dia me definhando e sendo violentada.
Até que em um dia frio e sombrio, em um quarto com meia luz, sucumbi-me em uma das sessões de Hedonis.
Um tanto ermo, onde logo se esqueceriam de quem foi Liriel.
Ao céu retornei, de onde sussurro este testemunho.
Talvez esteja longe ou bem próximo, em uma dimensão paralela.
Um dos lugares que coexistem com a realidade. E, às vezes, encontramos uma abertura perdida, ou aberta propositadamente para ressoar com a energia de alguém, transcrevendo-o para que possam tomar ciência e não permitir que esta história novamente aconteça.
No entanto, o ser humano é falho deixando o seu lado primitivo vir à tona. Não se importando com o sofrimento alheio e as mesmas histórias vão se repetindo em looping.
Até quando?