sexta-feira, 12 de junho de 2015

O brilho ingênuo da lascívia



Em pleno século XIII...

Uma manhã cinzenta e fria de segunda-feira...

Poucas pessoas na rua...

O frio era tamanho que somente saiam de suas casas aqueles que realmente necessitavam...

Mas eu não estava nem aí!

Com várias camadas de roupas sobre o meu corpo deixei o abrigo no qual me encontrava.

Todos ali me olhavam...

Enxergavam-me com seus olhares inquisidores desejando saber quem realmente eu era. E não entendia o motivo. Porém, naquele exato momento não passava de uma mera questão impossível de ser respondida. Pois nem eu mesma sabia quem seria.

Até a maneira sombria de como fui parar naquele lugar me assustava. O que recordo é de acordar em um leito de hospital aonde as primeiras palavras que ouvi foram: “- Que magníficos olhos!” – De um completo estranho trajando um jaleco branco que me aguardou recobrar completamente os sentidos para que, então se apresentasse como doutor Scoot Moore.

Mesmo me sentindo um pouco tonta não deixei de perceber o seu entusiasmo quando me viu acordar. Não seria exatamente a empolgação de médico para paciente e sim de homem para mulher.

Os dias foram se passando, mas para onde iria se ninguém me procurou naquele isolado vilarejo. E assim fui permanecendo e ajudava com os demais pacientes em troca de comida, roupa e lugar para dormir. E quando tudo se encontrava na mais perfeita calmaria, eu saía um pouco para fazer caminhadas e me distrair. Dessa maneira ficava ausente por alguns momentos daquele clima de hospital que, às vezes, tornava-se muito pesado.

***

Aos dias atuais retornando, tento me lembrar de algo que possa me trazer alguns fragmentos de lembranças e encontrar a ponta para saber quem realmente fui ou sou... E o porquê de estar ali.

Ao voltar mais de uma dessas caminhadas:

- Clara! Aonde foi que você se enfiou menina? – Quis saber Eleonor, uma das enfermeiras.

- Não precisava se preocupar... Estou bem! – Para acalmá-la lhe falei.

- Não sei o que há com você. Está muito frio lá fora. Este inverno está sendo muito rigoroso! – Ela concluiu.

- Não sei que frio é este! – Ao dar de ombros exclamei e sai.

***

Não sei se Clara é realmente o meu verdadeiro nome. Eles quem me batizaram assim devido a cor da minha pele e ter os olhos bem azuis.

E em suas conversas que muitas das vezes ouvi por detrás das portas, eles se indagavam porque uma jovem tão bonita quanto eu poderia ser abandonada e que ninguém pudesse sentir a minha falta. E quando percebiam que havia escutado algo se faziam de desentendidos.

Naquele dia, não suportava mais a clausura das paredes do hospital... Uma enorme necessidade de sair se apossou do meu corpo.  Uma agonia atingiu bem no alvo de minha alma. Não compreendia a grande vontade, apenas as minhas pernas obedeciam e saí correndo!

Não suportava o vazio que me puxava como se um abismo me engolisse.

Tudo ao meu redor a neve encobria, a paisagem branca se mesclava com o verde da floresta. Mas eu tinha a necessidade de correr, como se pudesse deixar tudo aquilo para trás.

E fora de mim corri e não notei que nem ao menos um casaco vestira. Mas o calor do meu desejo fazia com que o frio ficasse menor a cada passo que eu dava e, desvencilhando-me de alguns galhos caídos prosseguia não sei para onde. Não queria pensar em nada, apenas corria como se obedecesse a um comando que eu nem mesma sabia que existia.

Mas teve um momento em que não suportei o cansaço e cai sobre a neve...

Com o tempo o meu corpo foi se enrijecendo. Tanto que corri e para nada. Na densa floresta acabaria congelada!

Quando os meus olhos se fixaram em uma luz brilhante que surgia do alto das copas das árvores.

O que poderia ser aquilo? Ou quem poderia ser? Não sei se estava entrando em choque devido à hipotermia... Nem os dedos eu conseguia mexer. A mesma luz se aproximava e também passeava sobre o meu corpo. E, por alguns momentos se afastava.

Ao procurá-la movendo apenas os meus olhos notei que havia uma espécie de gruta naquele lugar e a misteriosa luz se dirigiu para ela.

Como me sentia fraca, aos poucos fui perdendo os meus sentidos. E outra vez me vi sozinha a mercê de não ser o quê!

Não sei se foi delírio meu... 

Ao abrir os olhos observei um estranho se afastando. Ele não percebeu que acabara de acordar.

Como poderia estar viva sobre e sob aquela camada de neve em uma floresta densa e escura?

Mas para a minha surpresa havia sobrevivido. Não mais estava com as roupas úmidas, protegida por um grosso manto e uma fogueira à minha frente.

Ao me sentar assustada procurei quem poderia ter me ajudado. E a luz veio novamente em minha direção como se quisesse se mostrar. O pequeno ponto se movia com certa rapidez.

- O que poderia ser? - Indaguei em voz alta.

- Acalme-se! – Avisou-me uma voz oriunda da direção da luz.

Quando esta começou a aumentar a sua intensidade e a se transformar em um ser não humano em si, apenas em sua forma.

De pé fiquei rapidamente tentando me desvencilhar de um possível ataque.

O manto que me aquecia se acomodou no chão e me vi completamente nua.

O seu olhar se mantinha fixo em meu corpo...

- Não seja tola! No estado em que você está talvez não tenha chance de sobreviver se sair correndo daqui!  - Ele me advertiu.

Ao fazer menção de andar, ele fez um sinal com a mão para que eu parasse.

- Como pode ser? Você uma pequena luz... Uma estrela brilhante... Como pode se transformar em humano e ainda falar a minha língua? – O indaguei curiosa.

O humanoide me olhava perplexo ao perceber que não estava com medo dele e agia de forma natural a me observar... Ou melhor, eu quem o observava... Alto e esguio... Cabelos longos e loiros até um pouco semelhantes aos meus e seus olhos eram verdes como as esmeraldas que uma das enfermeiras havia me mostrado outro dia. A sua forma física deixava qualquer deus grego se retorcendo de inveja.

E sim! Também notava que ele não desejava me fazer mal, pois se assim quisesse teve-me a sua mercê enquanto estava desmaiada no meio da floresta.

O seu olhar em minha direção se fazia contemplativo, como se nunca tivera visto uma mulher nua a sua frente.

Ao me aproximar a sua face se ruborizou... Talvez não conhecesse aquela sensação que despertava nele e até eu mesma desconhecesse.

Apesar do inverno rigoroso não sentia frio, mesmo estando despida. E ele usava apenas uma túnica com uma corda envolta a cintura que delineava o seu corpo.

O meu sexo se fazia molhado... A respiração ofegante... O que acontecia comigo? A minha intenção era me aproximar daquele estranho. E antes o medo inicial deu lugar a uma gostosa excitação e eu não hesitei em nenhum momento diminuir o espaço que existia entre nós dois.

- Não se aproxime! – Ele exclamou.

- Sei que me não recordo quem eu sou... Mas de uma coisa tenho certeza, de que não gosto de ser mandada! – Com um olhar desafiador o retruquei.

- Você não me conhece... Não sabe o que está fazendo! – Ele completou.

Não sou de acatar ordens de ninguém e me aproximei ainda mais e sem que pudesse me advertir, segui os meus instintos.

***

No local aonde fui acolhida, sempre fui muito bem tratada e protegida dos perigos que pudessem vir a surgir. Mas, às vezes, sentia que pairava a algo no ar sem que pudesse realmente ter noção da compreensão. E naquele exato momento, possuía a intuição de que algo mudara... Só não sabia exatamente do que se tratava.

***

Em passos lentos rumo ao desconhecido... O que apenas desejava fazer era tocar em seu rosto.
Se outro alguém estivesse conosco, chamar-me-ia de louca por querer manter contato com uma criatura que não seria humana, mas que detinha o poder de se tornar como um de nós. Porém, a minha curiosidade e o meu impulso foram maiores do que toda e qualquer razão.

Frente a frente com ele, olhando profundamente em seus olhos, senti uma enorme sintonia como se pudesse me enxergar e, ao olhá-lo por inteiro, percebi que algo se movia por debaixo da túnica e crescia.

Ele não se movia e a minha mão escorregando foi repousar bem na saliência que ali se formou. Quando ele sem nada falar, soltou um breve gemido. E, ajoelhando-me levantei a sua túnica para ver o que acontecia. Mesmo morando em um hospital, eles não me deixavam fazer e nem presenciar todas as tarefas.

E, ao ver o seu pedaço de carne teso... Não resisti e o toquei o que fez gemer outra vez e pude compreender a sua sensação de prazer igual a quando como um pêssego, a minha fruta favorita. E, enfim, quando o tomei em minhas mãos foi que ele cresceu e sem pensar muito, fixamente olhando em seus olhos o suguei entre meus lábios imaginando a saborosa fruta.

O meu sexo se aquecia e mais molhado ficava...

O humanoide mudou de postura e se deliciava comigo envolto ao seu corpo. Mas desejava mais do que tudo desbravar todo o seu conteúdo corporal e ainda sem ter noção ao me levantar comecei a esfregar o meu corpo ao seu para ver até aonde iria com a sua imparcialidade.

Um fogo me aquecia... O seu cheiro era tão bom que entorpecia os meus sentidos... O que ele poderia fazer comigo? Não me importava... Apenas desejava desfrutar daquele momento.

A ponta de seu pedaço de carne em riste procurou a entrada de meu sexo e ali se abrigou enchendo o meu corpo de lascívia e só então tive a real noção do que estava acontecendo. Tornando-me mulher ou relembrando algo do meu passado.

O meu corpo batia de encontro ao dele... Encaixado em nossas formas perfeitas de homem e mulher ou o que poderia vir a ser.

Conforme a intensidade de nossos movimentos ele segurava em meus quadris para melhor estabilidade. E nada mais nos fazia cessar... Em transe nos encontrávamos e a aura criava nuances de multicores como se já nos conhecêssemos há muito tempo.

Em dado momento o meu corpo começou a estremecer e a convulsionar de maneira extraordinária e aquela sensação me embriagou. Um bálsamo se apoderou de meu corpo como se tivera tomado uma taça de vinho que, mesmo me deixando lânguida, desejava mais me embriagar com toda a novidade a qual era me apresentada. E, deitando-me sobre o mesmo local que momentos antes estivera adormecida ele desfez-se de sua túnica revelando seus músculos... Mas o meu olhar estava voltado para o pedaço de carne que estava pronto para me invadir novamente. E assim ele o fez deitando-se sobre o meu corpo e me aquecendo com o seu, aos poucos roçando por entre as minhas coxas e sugando os bicos rosados de meus seios brancos.

A todo instante me segurava para não pegá-lo e colocá-lo dentro de mim. Mais do que tudo desejava que ele o fizesse no tempo dele.

As suas mãos seguravam os meus cabelos... Ele não se importava se pudesse me machucar. Era alguém que não me tratava como um bibelô com medo que caísse ao chão e me quebrasse. Em atitudes que foram se tornando impulsivas e aquilo me incendiava ainda mais.

De supetão invadiu-me...

O meu grito ecoou pela ambiência do lugar. E cravado em mim começou a desferir vários golpes em meu sexo. Às vezes, a dor era intensa, mas não me importava... Não queria que cessasse e não reclamei. Apenas olhava fixamente em seus olhos e através deles pedia para que continuasse com as suas investidas.

O meu corpo rebolava para senti-lo com mais intensidade, embora a nossa linguagem fosse corporal, não se faziam necessárias palavras, compreendíamos um ao outro somente com toques.

Os nossos fluídos se misturavam...

A energia de nossas peles...

Tudo era sincronizado...

Ele me possuía loucamente...

E ensandecida me entregava!

***

Desde o momento em que fui encontrada sem nenhum fragmento de memória pelo pároco do vilarejo, sentia uma profunda tristeza em minha alma como se algo estivesse incompleto... Como se faltasse uma peça que se encaixasse nos acontecimentos daquela noite na qual um evento sobrenatural ocorrera. E o que me contavam eram somente fatos que nem mesmo a população acreditava e eu pensava ser um monte de sandices.

Uma enorme bola de fogo caindo do céu em um descampado e, alguns moradores foram ver o havia ocorrido. Neste exato instante a nave se aproximou feito um raio e resgatou dois corpos. Mas nas noites seguintes, o mesmo facho de luz pôde ser avistado durante a madrugada. O que poderia ser? Poderiam estar procurando mais algum deles? Indagavam-se alguns moradores mais crédulos.

***

Em minha loucura as lembranças me faziam transitar por entre dois mundos revelando-me quem de verdade realmente seria.

Ao seguir a minha intuição fez com que todo caminho a ser percorrido ficasse mais curto.
Em meus devaneios me incitava...

Em meus devaneios me procurava...

E com ele tudo fazia sentido...

Não fazia parte daquele lugar!

Aquela pessoa vazia e fria não era a minha verdadeira identidade. Agora compreendia o que de fato ocorrera. E compreendia no momento o que estava realizando e a sensação de paz que me trazia era tão boa que desejava que nunca terminasse. O que no meu mundo chamamos de relação corporal sem contato físico, aqui na terra os humanos o chamam de sexo. Porém, possuir a oportunidade de usufruir dessa doce sensação mesclada com toques não há nada que se equivale.

Com todas essas novidades se expandindo em meu corpo, não foi difícil mais uma vez sentir o meu corpo se convulsionar no mesmo ritmo de meu parceiro e, juntos gozamos como se cronometrássemos o nosso momento e além de maravilhoso... Intenso!

As nossas respirações ofegantes aos poucos foram se acalmando.

- Não sei o que aconteceu aqui! – Disse ele quebrando o silêncio.

- Eu sei o que foi! – A ele respondi.

- Mesmo confuso, através de seus pensamentos, fui revelando a sua verdadeira identidade. Você não faz parte desse mundo... Tu és igual a mim! – Ele explicou-me.

- Sim... Compreendi! Pode me chamar de Clara! – Só então revelei o meu nome.

- Não! Você é Harthiza! E sabe como por um acidente veio parar na Terra. O seu lugar é conosco. Desde aquela noite, quando a encontramos, já se encontrava com os humanos. Antes de desmaiar para se proteger se transformou em um deles. Foi o que fiz antes com você para não se assustar! – Ele me explicou mais uma vez.

- Podemos passar a noite aqui? Quero me despedir do pessoal antes de partir. – A ele fiz o pedido.

- Tudo bem... Compreendo! – Ele respondeu.

- Mas quero compartilhar com você mais do meu corpo humano. – A ele falei em tom bem sacana como os humanos, afinal das contas, vivi um tempo entre eles.

- Não desistimos... Não desisti de você... Sabia que a levaríamos de volta para casa!  - Ele me confessou.

- Como soube quem eu era? – Muito curiosa perguntei.

- A identificamos pelo sinal que tens ao lado esquerdo do pescoço. Para os humanos algo simples, mas para nós, é como se fosse uma espécie de radar! - Ele me contou entusiasmado.
- Sempre me incomodou... Por me tornar muito branca, esse sinal negro sempre se evidencia em meu corpo. E por não ser humana, também explica o fato de ser mais resistente ao frio. – A ele desabafei.

- Viu? Como está compreendendo melhor a sua natureza? – Ele me indagou.

***

Naquela noite, não resistimos mais a nossa atração física e nos entregamos mutuamente... Não pensei nas consequências que pudessem vir a acarretar. Na verdade, sabia parte da minha história, mas não como me encaixava nela.

***

Na manhã seguinte, retornei ao hospital e com calma me despedi do pessoal sem muitas explicações. E Zhyon, este é o nome dele, observava-me de longe sem que pudesse ser visto pelos demais em mais um de seus disfarces.

No começo da noite me dirigi novamente à floresta, onde uma pequena aeronave camuflada pelas árvores nos aguardava.

E em um piscar de olhos estávamos na órbita de nosso planeta e para a nossa proteção aqui não será mencionado.

Zhyon me ensinou como voltar a minha forma original e ficava brincando: Um momento eu era humana e em outro instante me tornava uma alienígena.

Algo muito forte surgiu entre Zhyon e eu a partir daquela noite na floresta.

E sempre surgia um desejo incontrolável de nos relacionarmos como humanos. E em qualquer oportunidade, adquiríamos a forma de humanoides e nos entregávamos ao desejo da luxúria que surgiu de maneira natural...

Como o brilho ingênuo da lascívia.


*********************************************************************************

Meu agradecimento ao meu amigo Didakus James por sugerir o título desse texto que caiu feito uma luva. 
Bjs meu querido!



Um comentário:

Master of Pleasure disse...

Maravilhoso!!! A ambientação foi criativa, a narrativa densa, a relação entre Clara e seu humanóide conseguiu uma combinação rara: foi inocente e terno, e ao mesmo tempo viril, com tendência ao profano, a violação... Que delícia!!! E a gostosura de Clara foi mais insinuada que retratada, mas clara como o raio de sol... Místico, delicioso, criativo... Pena que no fim pareceu meu corrido, mas foi até antes da verdade, de uma densidade, de um envolvimento, que tornaram o conto magnético... Delícia!!! Amei demais Fabby... Será que rola continuação? Rs